Monday, March 13, 2006

Toca Raul!!!!



O que acontece quando um dito cidadão respeitado que ganha 4.000 cruzeiros por mês, como executivo de uma grande gravadora, resolve largar tudo para tentar realizar seu sonho de infância de se tornar uma estrela do rock? Simples. Nasce uma lenda do rock que iria mudar os rumos, não só da música brasileira mas dos costumes da sociedade e, porque não, até da literatura universal. Nasce, assim, Raul Seixas.
Em 72 este baiano de Salvador decide largar seu emprego de produtor musical da gravadora CBS para participar do Festival Internacional da Canção. Com a música Let me Sing, Let me Sing (mistura de baião e rock) Raul chega às finais do festival, mas não consegue vence-lo. Mas a sua apresentação, vestido de Elvis com um topete enorme e dançando muito, impressiona a todos e principalmente os executivos da gravadora Phillips que o contratam na hora.

Sete meses depois dois caras cabeludos e barbudos saem em passeata pelas ruas do Rio de Janeiro, um deles carregando um violão. Rapidamente eles chamam a atenção de centenas de pessoas que os seguem, assim como a imprensa. Os caras eram Paulo Coelho e Raul Seixas. Os dois saíram pelas ruas cantando Ouro de Tolo, para promover a nova música. O resultado: conseguiram aparecer à noite no Jornal Nacional (lembrem-se que estávamos no meio da ditadura militar e qualquer aglomeração de pessoas era uma grande notícia) e duas semanas depois Ouro de Tolo já era o compacto mais vendido no Brasil.

Um mês após a passeata chegava as lojas Krig-Há, Bandolo!, o primeiro (e melhor) disco solo de Raul Seixas (que já havia gravado com seu antigo grupo: Rauzito e os Panteras). Com uma mistura de ritmos, letras esotéricas, políticas, de duplo sentido e bem humoradas o disco rapidamente chegou a marca de 1 milhão de cópias vendidas, feito até então só alcançado por Roberto Carlos.
O disco começa com Raul aos 9 anos de idade cantando Good Rockin Tonight, gravação interessante que mostra o quão cedo Raul já queria ser o rei do Rock. Em seguida dois grandes clássicos. Mosca na Sopa, um Rock-Baião, que fez um sucesso enorme, em que Raul avisa que é a mosca que irá perturbar o sono (da classe média e dos militares) com sua mensagem e que não há DDT (ou censura) que irá extermina-lo. Metamorfose Ambulante dispensa comentários, mostra o inconformismo de Raul com os costumes tradicionais da classe média.

Dentadura Postiça com seu trinômio: vai cair, vai subir e vai sair é ótima. Vai cair: o nível do gás, o juízo final, os dentes de Jô....; vai sair: o novo gibi, o expresso 22, o Sol outra vez,....; Vai subir: o elevador, o preço do horror, o nível mental....Esta letra é pura poesia. Na seqüência vem a conhecida As Minas do Rei Salomão um country com uma letra esotérica que cita até o Dom Quixote: “o cavaleiro andante que luta a vida interira contra o rei..”. A Hora do Trem Passar fecha a primeira parte do disco e é uma bela balada romântica, fato raro na carreira de Raul.
Al Capone é um clássico e impressiona o fato dela não ter sido censurada na época. Será que ninguém percebeu que ele fazia menção a política brasileira? Sem falar no trecho “... hey Jesus Cristo o melhor que você faz/ deixar o pai de lado e foge pra morrer em paz”. Já How Could I Know é um sonho de Raul que nunca se concretizou enquanto era vivo: gravar um disco cantado todo em inglês. Rockixe apesar do destaque dado a ela no disco (sua letra estava na contra capa) não chegou a fazer sucesso. A música é um rock com metais ao estilo Elvis Presley e com uma ótima letra: “ o que eu quero/ eu vou conseguir/ pois quando eu quero/ todos querem e quando eu quero/ todo mundo pede mais e pede bis”.
Manuscrito de Al Capone
Cachorro Urubu é outra música política de Raul e Paulo Coelho, fazendo menção a revolução estudantil da França de 68 e aos movimentos de contra-cultura: “todo jornal que eu leio/ me diz que a gente já era/ que já não é mais primavera/Oh baby, a gente ainda nem começou!”. A última música do disco é a autobiográfica Ouro de Tolo, que dispensa comentários. O disco acaba com um discurso de Raul “..que o mel é doce eu me recuso a afirmar/ mas que ele parece doce, eu afirmo/ Deus é o que me falta para compreender tudo aquilo que ainda não compreendo..”.


Para finalizar alguém sabe o que significa Krig-Há Bandolo!? Uma frase de magia negra? Uma referência ao livro tibetano dos mortos? Não! É apenas o grito de guerra do Tarzan nos gibis e quer dizer cuidado, aí vem o inimigo! Este é o grande humor de Raul Seixas.
A dica de hoje é o livro Diário de um Mago do imortal Paulo Coelho, onde dá para entender um pouco como a magia era encarada pela dupla Paulo Coelho e Rau

2 Comments:

Blogger Robinson said...

Raul Seixas foi Raul Seixas, sem concessões, e é isso que lhe dá grandiosidade. Ainda lembro quando, indo para a USP em 1989, ouvi o anúncio de sua morte no rádio do carro. Anos depois, resolvi comprar alguns CDs para conhecer melhor a obra que deixou. E hoje me pego cantando "Novo Aeon", emocionado, como se o disco estivesse sido lançado há uma semana...

5:17 PM  
Anonymous Marco said...

É simples falar de Raul Seixas. Ele sem dúvida foi um possesso. Um perturbado, debochado, autodestrutivo e no sentido mais amplo um péssimo exemplo pra juventude. O melhor mesmo seria desconsiderá-lo totalmente, mas ainda existem pessoas que sentem por essa caricatura de ser humano um fascínio e um encanto extremamente doente.Dá pra ver que a relação dele com o oculto é verdadeira, pois a sua vida e morte mostram isso. Ele foi prova cabal da existência do maligno. Pra vocês que gostam dessas coisas existe um remédio. JESUS CRISTO.

7:55 AM  

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