Saturday, February 25, 2006

Franz Ferdinand / Morumbi dia 21/02/06


o vocalista Alex Kapranos do Franz Ferdinand no show em São Paulo

A banda escocesa Franz Ferdinand ainda é pouco conhecida no Brasil, mas depois dos dois shows de abertura para a banda U2, eles conseguiram conquistar vários novos fãs.Às 20 horas em ponto a banda subiu no gigantesco palco e fez um show simples porém muito competente.
Com um cenário incrivelmente modesto, uma bandeira preta com dois F desenhados, pendurada em frente a bateria do U2 (acreditem, foi somente isso). Foram somente quarenta minutos de show (o ponto baixo, pois eles mereciam mais tempo) que fizeram o estádio do morumbi dançar.
The Dark of Matinee foi o primeiro hit tocado e já animou a galera, todos começaram a pular ao som desta música, muitos não conheciam a banda, mas quando eles tocavam algum hit todos comentavam, "Ei, eu conheço esta música!"O mesmo aconteceu com o single mais recente do FF, Walk Away.
Os pontos altos d show foram as músicas mais "famosas": Take me Out, com o público em coro cantando o refrão, para a surpresa da banda; This Fire que foi a música que fechou o show, pos fogo no estádio (que cliché!). Mas o melhor foram as canções Do you Want to (que fez todos pularem)e Outsiders em que a banda contou com três bateristas tocando ao mesmo tempo e na mesma bateria!
Apesar do pouco tempo de show com certeza o Franz Ferdinand conquistou vários fãs com os shows de abertura do U2, ficamos aqui imaginando como seria o show completo da banda. Espero que eles voltem em breve e se possível com a banda que abre seus shows na gringa, o maravilhoso Magic Numbers. Para àqueles que não viram o show, só resta mesmo escutar os dois cds do Franz Ferdinand.

Tuesday, February 21, 2006

A pérola do Rock


Nascida em Port Arthur, Janis Joplin foi a maior estrela da cena musical de San Francisco e uma das maiores de sua época e de todos os tempos. No mundo machista do rock pouquíssimas mulheres conseguiram se estacar e apenas Janis conseguiu o status de estrela. Tentando preencher o vazio do amor ela encarnou como poucos o trinômio sexo, drogas (incluindo o álcool) e rock and roll (e muito blues).
San Francisco, mais do que todas, nos anos 60 era a cidade do paz e amor. Era a cidade com a maior concentração de hippies por metro quadrado do universo. Existiam inúmeras comunidades e numa delas Janis Joplin morava com a maravilhosa banda Grateful Dead (que ficou 20 anos ininterruptos fazendo turnê pelos EUA em um ônibus escolar, onde todos moravam!!).

Janis era fã declarada de Blues, ritmo que escutava desde a infância no Texas, e começou sua carreira em 63 cantando em pequenos bares de San Francisco. Em 65, movida a muita anfetamina, ela monta a Big Brother and the Holding Company Band (talvesz a sua melhor banda). Juntos lançam o excelente disco Cheap Thrills e fazem muito sucesso tocando em festivais até 68 quando a banda acaba.


No mesmo ano Janis monta a tumultuada Kozmic Blues Band que dura pouco mais de um ano de fracassos musicais. Em 69 ocorre a lendária visita de Janis Joplin ao Rio de Janeiro, onde foi expulsa do hotel Copacabana Palace por fazer top less na piscina. Dizem que ela queria conhecer as melhores atrações turísticas do Rio, ou seja, os puteiros (segundo a própria).E conheceu todos, pelo menos os melhores, como conta o lendário Sergei, brasileiro e “namorado” de Janis na época.





Janis bem a vontade em Copacabana com seu amigo Jack Daniels
De volta a San Francisco Janis monta a Full Tilt Boogie Band e faz uma turnê pelo Canadá acompanhando o Grateful Dead . O detalhe desta turnê é que ela foi feita a bordo de um trem. Eles paravam em uma estação em uma dada cidade e tocavam para quem estivesse na estação, e de graça. Esta loucura toda esta documentada no filme Festival Express. Tentem imaginar o que acontecia nos vagões do trem!!

Com o fim desta louca turnê Janis e sua banda entram em estúdio para gravarem o clássico Pearl. De sua capa, com Janis sentada num sofá vitoriano com uma garrafa de cerveja em uma mão e um cigarrinho suspeito na outra, a suas músicas este disco é antológico.
Com exceção de Buried Alive in the Blues, Me and Bobby Mcgee e Mercedes Benz todas as outras 7 músicas do álbum falam sobre amor. Mas as músicas não são repetitivas pois falam das diferentes fazes do amor. A Woman Left Lonely fala da solidão de uma mulher abandonada por um homem (ou uma mulher). Cry Baby (aquela da trilha sonora do filme Olha quem Esta Falando) é a história de um cara que leva um fora e vai se consolar com uma amiga, que por sua vez tenta convence-lo a ficar com ela e esquecer a mulher que o abandonou.
Move Over é um ultimato de uma mulher que diz para o cara tomar uma atitude ou que ele caia fora para dar lugar a outro. O interessante de Move Over é a parte musical, com os instrumentos dialogando com o vocal em uma mesma melodia enquanto a bateria marca o compasso. Buried Alive in the Blues é uma música instrumental onde se pode comprovar todo o talento da banda de Janis. Com variações rítmicas é possível escutar nesta música todo o poder de uma Gibson SG em ação.
Me and Bobby Mcgee é uma típica música hippie. Este folk-country conta a história de uma mulher com um tal de Bobby Mcgee que ela conheceu na estrada, eu destaco os versos: “liberdade é apenas outra palavra/ para nada a perder” e “eu trocaria todos os meus amanhãs/ por um único ontem/ para abraçar de novo o corpo de Bobby”. Mercedes Benz é a prova de toda a capacidade vocal de Janis, pois esta música não tem instrumentos, apenas a sua voz. Ela canta um pouco de seu estilo de vida: “oh senhor, você poderia me pagar uma noite na cidade?/ Prove que me ama e pague a próxima rodada”. Aliás ela ganhou o Porshe que tanto sonhava na música, já a rodada de bebidas ela mesma pode comprar várias!

Janis Joplin morreu de overdose de heroína no dia 4 de outubro de 1970. Dez dias depois chegava as lojas o disco Pearl, a sua maior obra prima. Algo interessante que eu consegui achar na rede é o relatório do legista de Janis, vocês podem vê-la neste site: http://www.janisjoplin.net/kozmic/autopsy.html
Minha dica de hoje é o filme Os Sonhadores de Bernardo Bertolucci. Este filme se passa em Paris e retrata as duas faces dos anos 60: o ativismo político com a revolução estudantil de Paris em 68 e a alienação em que os personagens do filme ficam dias dentro de um apartamento conversando sobre cinema e escutando Janis Joplin!