Friday, November 18, 2005

London Calling

Sempre ouvi dizer que London Calling do Clash é o melhor disco de Punk Rock de todos os tempos e nunca levei este fato muito à sério. Até que um dia resolvi arriscar. Comprei o London Calling esperando um disco barulhento, agressivo, com músicas simples e com muita anarquia nas letras. Devo confessar que me decepcionei, mas no bom sentido, pois London Calling superou todas as minhas expectativas quanto a sua qualidade. O disco é tranqüilo, com músicas muito bem feitas (e até complexas) e não é anarquista, muito pelo contrário, tem letras politizadas que fazem o ouvinte querer mudar o seu modo de pensar através da conscientização das pessoas.

Como muitas bandas Punks da época, o Clash, surgiu após os caras da banda verem um show dos Sex Pistols (o Joy Division começou da mesma maneira), e além disso a estréia nos palcos da banda, 4 de Julho de 1976, foi abrindo o show dos Pistols. Em 77 a banda assina com a gravadora CBS e lança o álbum homônimo que fez um grande sucesso na Inglaterra, assim como o segundo disco Give´Em Enough Rope. Mas foi com o terceiro disco, London Calling, de 1979 que a banda ficou famosa no mundo todo.
Antes da fama os caras da banda (Mick Jones, guitarra e vocais; Joe Strummer, guitarra e vocais; Paul Simonon, baixo e Topper Headon, bateria) moravam nos subúrbios de Londres, em um bairro dominado por uma grande comunidade de imigrantes jamaicanos, daí a grande influência musical e política do Reggae. Assim, com uma mistura de Reggae, Ska e Rock a banda criou um novo tipo de música e o disco foi eleito, pela revista Rolling Stone, o melhor da década (79-89) por ser um dos mais inovadores.

O disco comça com a faixa London Calling, que tem uma linha de baixo bem marcante, uma letra politizada e um clipe na sombria noite londrina. Em seguida vem Brand New Cadillac, um Rockabilly sobre o sonho de se ter um cadillac, apesar de politizados eles eram garotos que cresceram ouvindo Elvis e queriam ser como ele, e um dia dia ter o melhor carro, muito dinheiro, garotas e muita diversão!
Spanish Bombs fala sobre a guerra civil espanhola, contando sobre o bombardeio (com aviões nazistas) da cidade de Andaluzia em 1939 (fato também retratado por Pablo Picasso em um de seus quadros). A música também trás uma menção à morte do escritor espanhol Frederico Gárcia Lorca que lutava no exercito de resistência ao general Franco. Lost in the Supermarket é uma das minhas favoritas, com uma boa melodia, a música questiona a sociedade de consumo.

Para quem estava sentindo falta de Punk Rock, pode se deliciar com as ótimas Clampdown e Death or Glory. Já Wrong´Em Boyo e Revolution Rock são bons Reggaes que deixariam até Bob Marley com inveja. The Card Cheat é uma música de excelente qualidade, com um toque de complexidade melódica que lembra The Who nos bons tempos. Com relação a Lovers Rock só me resta uma dúvida: o que a pobre garotsa teve que engolir? E apesar do enigma a música é muito boa!
Koka Kola tem, com certeza, a melhor letra: “ Koka Kola anunciando, enquanto a Kokaína está passeando pela Broadway” (será que eles quiseram fazer algum tipo de associação entre os dois produtos?). Train in Vain que fez um grande sucesso fecha o disco (é a mesma que o Ira! Fez uma versão em português em seu acústico).

Agora só nos resta falar sobre a capa do disco. A foto retrata o baixista Paul Simonon quebrando seu baixo no fim de um show em que ele simplesmente errou em quase todas as músicas, frustrado com sua performance ele decidiu quebrar o seu instrumento. Em uma entrevista, Paul disse que se arrepende de seu ato, pois aquele era seu baixo favorito. Outro fato curioso da capa é que ela é uma homenagem ao primeiro disco do Elvis. Percebam que as palavras London Calling e Elvis Presley têm a mesma cor e estão disposta da mesma maneira.

Para saber um pouco mais sobre a ideologia do Clash entrem no site www.strummerville.com e vejam alguns dos projetos do finado guitarrista do Clash Joe Strummer!