Thursday, September 01, 2005

Os Mutantes

Uma das bandas mais criativas e experimentais de todos os tempos. Influenciados pelos Beatles criaram este grande clássico do rock mundial. Graças à sua grande irreverência a banda teve a coragem e a liberdade de inovar onde outros não o fariam. Apesar de ser a primeira grande banda de rock nacional, os Mutantes não levavam a sério este estilo (e isto foi um fator positivo), o que possibilitou que a banda gravasse músicas como: Adeus, Maria Fulo, Batmacumba e Chão de Estrelas, esta última de Silvio Caldas.
A história dos Mutantes começou em 64, quando Arnaldo Batista foi convidado por seu irmão mais velho, Cláudio César (guitarrista), para tocar baixo na banda Woodfaces. Um ano depois a banda acabou pois alguns de seus integrantes queriam tocar Bossa Nova, o que era uma verdadeira heresia para Arnaldo. Em 65 Arnaldo decidiu formar uma nova banda com seu amigo Raphael, que o apresentou à duas garotas: Suely e sua amiga Rita Lee Jones. Os quatro juntamente com o baterista “Pastura” e o irmão mais novo de Arnaldo, Serginho, formaram a banda Six Sided Rockers.

Em 66 a banda mudou o nome para O´Seis e com “Mogguy” no lugar de Suely gravam com a Continental o compacto “Suicida/Apocalipse”. A gravadora, contra a vontade da banda, resolve lançar o compacto, que acabou sendo um fracasso, vendendo menos de 200 cópias. No meio de 66, a banda sofre uma mudança na formação, ficando apenas: Rita, Arnaldo e Sérgio. No dia 15 de Outubro, já com o nome Os Mutantes, a banda se apresenta no programa (só transmitido para a cidade de São Paulo) Pequeno Mundo de Ronnie Von.

No ano seguinte Gilberto Gil chama a banda para tocar com ele a música Domingo no Parque (com arranjos de Rogério Duprat) no Terceiro Festival da Record. A música foi um sucesso, obtendo a segunda colocação, e Os Mutantes passaram a serem conhecidos no Brasil todo. Sobre o festival, Sérgio Dias disse: “ Eu era apenas um garoto de 17 anos, então eu só suava e tremia de nervosismo, pois sabia que estava sendo visto por todo o Brasil”.
Com o sucesso obtido no festival, a banda entra em estúdio para gravar o seu primeiro disco: Os Mutantes. A banda contou com a ajuda do genial arranjador Rogério Duprat, que demonstra todo seu talento já na primeira música: Panis et Circenses (Pão e Circo). Ela começa com a vinheta de entrada do Repórter Esso (o Jornal Nacional da época) e termina de uma maneira surpreendente, como se uma pessoa mudasse a estação de rádio, de uma que estava tocando a música para outra em que está tocando a calma música clássica Danúbio Azul, enquanto almoça (ou janta) com toda sua família.
A segunda música é minha Menina de Jorge Bem Jor, que toca violão e é autor da famosa frase da introdução “Tosse, todo mundo tossindo, vai”, e vale a pena destacar os grandes riffs de guitarra de Sérgio Dias. O Relógio vem em seguida e é uma clara influência do Sgt Pepper dos Beatles. A surpreendente letra, que conta a história de uma pessoa que está triste pois seu relógio quebrou, e os arranjos surrealistas e fragmentados de Rogério Duprat são os destaques desta música. Adeus, Maria Fulo é a quarta do disco. A música e a letra são de Humberto Teixeira (parceiro de Luiz Gonzaga e autor de Asa Branca) e Sivuca. Ela é um Baião que os Mutantes deram um toque de rock.

Baby é uma música de Caetano Veloso que foi melhorada, e muito, pelos Mutantes. Prestem atenção nos efeitos sonoros desta música, principalmente na parte do sorvete. Senhor F é um Jazz que parece ser tocado por uma Big Band dos anos 40, e seu refrão, na minha opinião, é o sonho de muitas pessoas no mundo: “Dê um chute no patrão, Dê um chute no patrão”.
Le Premier Bonheur du Jour é uma música francesa que ficou famosa na voz da grande musa dos anos 60: Françoise Hardy. Vale a pena procurar algo do trabalho desta cantora. Finalizam o disco as músicas: Batmacumba (com todo o seu experimentalismo), Trem Fantasma (a letra e a música simulam o barulho de um trem em movimento), Tempo Perdido (que começa com um curioso canto religioso) e Ave, Genghis Khan (que conta com a voz do tenor Dr César Batista, pai de Arnaldo e Sérgio Dias).

Vocês se lembram de Cláudio César, irmão de Arnaldo e Sérgio, que foi citado no começo do artigo? Apesar de nunca mais ter uma banda ele nunca abandonou a música, se transformando em construtor de instrumentos musicais. Foi ele quem construiu para Arnaldo o Baixo Regvlvs e para Sérgio a Guitarra de Ouro (ela tem detalhes folheados a ouro). Esta última contém a seguinte maldição gravada em uma placa na sua parte traseira:
“Que todo aquele que desrespeitar a integridade deste instrumento, procurar ou conseguir possuí-lo ilicitamente, ou que dele fizer comentários difamatórios, construir ou tentar construir uma cópia sua, não sendo seu legítimo criador, enfim, que não se mantiver na condição de mero observador submisso em relação ao mesmo, seja perseguido pelas forças do Mal até que a elas pertença total e eternamente. E que o instrumento retorne intacto a seu legítimo possuidor, indicado por aquele que o construiu”.

Tomem cuidado ao falar dos Mutantes!!
Para saber mais sobre Os Mutantes vejam o filme: A Hard Day´s Night dos Beatles. Eu explico: no auge do sucesso Os Mutantes fizeram uma série de comerciais para a Shell, que são do mesmo estilo do filme.

2 Comments:

Blogger Daniel said...

Essa história da guitarra, acho que eles copiaram do Led Zepellin... Ouvi particamente a mesma história, só que a guitarra era uma Gibson (hãhã) SG (hãhã) Double-Neck. Confere?

2:58 PM  
Blogger Daniel said...

atualizei meu blog. vc até foi citado nele...

4:24 PM  

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