Monday, September 19, 2005

Nevermind

Não foi o disco do Nirvana que mudou os rumos de uma geração. Nevermind foi apenas o catalisador, o motivo que todos queriam para que as mudanças pudessem ocorrer. Depois de uma década perdida, os famigerados anos 80, que começava a invadir os 90, Nevermind foi o ponta pé inicial de criatividade que faltava na vida das pessoas. Na época, indústria musical parecia estar mais interessada em cabelos e roupas espalhafatosas do que na própria música (ex: Poison, Skid Row e por aí vai), e foi preciso que três rapazes da longínqua Seatlle, mau vestidos e tocando uma música simples e direta, para mudar esta visão da indústria. Podemos dizer, que os anos 80 realmente acabaram quando Nevermind foi lançado (1991).

O Nirvana vem de uma cidade chamada Aberdeen, a 170 Km de Seattle. A banda era modestamente famosa na região quando assinou contrato com a gravadora Sub Pop para gravar o seu primeiro disco Bleach. O interessante é que duas das grandes músicas de Nevermind foram gravadas mas não entraram neste disco: Lithium e In Bloom. As músicas estão bastante descaracterizadas pois ainda contava com Aaron Burckhard na bateria (que por sinal, tocava muito mal). Depois de um certo tempo, já com Dave Grohl na bateria, a banda assina outro contrato de gravação (desta vez com a bem maior Geffen) e parte para a Califórnia com o produtor Butch Vig (atual baixista da banda Garbage!), um orçamento de 60 mil dólares e o sonho de um dia venderem 50 mil discos (metade do que seus ídolos do Sonic Youth tinha vendido com o álbum Goo).

Nevermind começa com a lendária Smell´s Like a Teen Spirit, que curiosamente foi a última a ser gravada e não tinha um solo de guitarra, então Kurt simplesmente tocou a melódia do vocal, de uma maneira provisória até o solo ser composto, mas ficou tão bom que que ficou em definitivo na música. Os ouvintes mais atentos podem perceber que no final da música, Kurt foi perdendo a voz, isto porque o vocal foi gravado de uma vez só e esta versão acabou sendo a melhor de todas.

Com relação aos vocais, todos os refrões utilizaram uma técnica chamada Doubble Tracking (o vocalista grava duas versões do mesmo trecho e depois elas são sobrepostas, dando a impressão de um backing vocal) somente com urt, com exceção de In Bloom onde Dave Grohl divide os vocais no refrão (já tinham reparado nisto?)!.
Polly é uma das músicas mais marcantes do disco. Ela conta a história de uma garota que foi seqüestrada e só conseguiu escapar quando começou a tratar o seqüestrador com respeito e educação (!). Esta é uma história verídica que Kurt leu em um jornal, e então ele resolveu fazer uma letra do ponto de vista do seqüestrador(!). O interessante desta música, é que a versão final contém um erro de Kurt que começou a cantar no momento errado (é durante o solo de baixo onde Kurt diz duas vezes Polly say´s!) mas como ela ficou tão boa acabaram deixando esta versão no disco.
Outro fato curioso do disco. Depois de 3 tentativas frustradas de gravar Something in the Way, Kurt vai até a sala do produtor Butch Vig, senta na poltrona com um viola e diz: “Eu quero que ea soe mais ou menos assim” e começa a tocar a música de uma maneira bem suave. O produtor, impressionado, sai da sala e volta em seguida com dois microfones, desliga o telefone e todos os aparelhos, pede para Kurt toca-la novamente e, prende sua respiração por 3 minutos enquanto grava a música. Portanto, da próxima vez que escutar esta música saiba que o vocal e o violão forão gravados na poltrona da sala do produtor Butch Vig.
Apenas algumas semanas após o lançamento do disco, o Nirvana já era uma das maiores bandas do planeta. Infelizmente Kurt Cobain não estava pronto para este sucesso e sua vida acabou de uma maneira trágica.
Para saber um pouco mais sobre o fim da vida de Kurt e se ele se suicidou ou se a Courtney Love “suicidou” ele assista ao documentário Kurt & Courtney.

Thursday, September 01, 2005

Os Mutantes

Uma das bandas mais criativas e experimentais de todos os tempos. Influenciados pelos Beatles criaram este grande clássico do rock mundial. Graças à sua grande irreverência a banda teve a coragem e a liberdade de inovar onde outros não o fariam. Apesar de ser a primeira grande banda de rock nacional, os Mutantes não levavam a sério este estilo (e isto foi um fator positivo), o que possibilitou que a banda gravasse músicas como: Adeus, Maria Fulo, Batmacumba e Chão de Estrelas, esta última de Silvio Caldas.
A história dos Mutantes começou em 64, quando Arnaldo Batista foi convidado por seu irmão mais velho, Cláudio César (guitarrista), para tocar baixo na banda Woodfaces. Um ano depois a banda acabou pois alguns de seus integrantes queriam tocar Bossa Nova, o que era uma verdadeira heresia para Arnaldo. Em 65 Arnaldo decidiu formar uma nova banda com seu amigo Raphael, que o apresentou à duas garotas: Suely e sua amiga Rita Lee Jones. Os quatro juntamente com o baterista “Pastura” e o irmão mais novo de Arnaldo, Serginho, formaram a banda Six Sided Rockers.

Em 66 a banda mudou o nome para O´Seis e com “Mogguy” no lugar de Suely gravam com a Continental o compacto “Suicida/Apocalipse”. A gravadora, contra a vontade da banda, resolve lançar o compacto, que acabou sendo um fracasso, vendendo menos de 200 cópias. No meio de 66, a banda sofre uma mudança na formação, ficando apenas: Rita, Arnaldo e Sérgio. No dia 15 de Outubro, já com o nome Os Mutantes, a banda se apresenta no programa (só transmitido para a cidade de São Paulo) Pequeno Mundo de Ronnie Von.

No ano seguinte Gilberto Gil chama a banda para tocar com ele a música Domingo no Parque (com arranjos de Rogério Duprat) no Terceiro Festival da Record. A música foi um sucesso, obtendo a segunda colocação, e Os Mutantes passaram a serem conhecidos no Brasil todo. Sobre o festival, Sérgio Dias disse: “ Eu era apenas um garoto de 17 anos, então eu só suava e tremia de nervosismo, pois sabia que estava sendo visto por todo o Brasil”.
Com o sucesso obtido no festival, a banda entra em estúdio para gravar o seu primeiro disco: Os Mutantes. A banda contou com a ajuda do genial arranjador Rogério Duprat, que demonstra todo seu talento já na primeira música: Panis et Circenses (Pão e Circo). Ela começa com a vinheta de entrada do Repórter Esso (o Jornal Nacional da época) e termina de uma maneira surpreendente, como se uma pessoa mudasse a estação de rádio, de uma que estava tocando a música para outra em que está tocando a calma música clássica Danúbio Azul, enquanto almoça (ou janta) com toda sua família.
A segunda música é minha Menina de Jorge Bem Jor, que toca violão e é autor da famosa frase da introdução “Tosse, todo mundo tossindo, vai”, e vale a pena destacar os grandes riffs de guitarra de Sérgio Dias. O Relógio vem em seguida e é uma clara influência do Sgt Pepper dos Beatles. A surpreendente letra, que conta a história de uma pessoa que está triste pois seu relógio quebrou, e os arranjos surrealistas e fragmentados de Rogério Duprat são os destaques desta música. Adeus, Maria Fulo é a quarta do disco. A música e a letra são de Humberto Teixeira (parceiro de Luiz Gonzaga e autor de Asa Branca) e Sivuca. Ela é um Baião que os Mutantes deram um toque de rock.

Baby é uma música de Caetano Veloso que foi melhorada, e muito, pelos Mutantes. Prestem atenção nos efeitos sonoros desta música, principalmente na parte do sorvete. Senhor F é um Jazz que parece ser tocado por uma Big Band dos anos 40, e seu refrão, na minha opinião, é o sonho de muitas pessoas no mundo: “Dê um chute no patrão, Dê um chute no patrão”.
Le Premier Bonheur du Jour é uma música francesa que ficou famosa na voz da grande musa dos anos 60: Françoise Hardy. Vale a pena procurar algo do trabalho desta cantora. Finalizam o disco as músicas: Batmacumba (com todo o seu experimentalismo), Trem Fantasma (a letra e a música simulam o barulho de um trem em movimento), Tempo Perdido (que começa com um curioso canto religioso) e Ave, Genghis Khan (que conta com a voz do tenor Dr César Batista, pai de Arnaldo e Sérgio Dias).

Vocês se lembram de Cláudio César, irmão de Arnaldo e Sérgio, que foi citado no começo do artigo? Apesar de nunca mais ter uma banda ele nunca abandonou a música, se transformando em construtor de instrumentos musicais. Foi ele quem construiu para Arnaldo o Baixo Regvlvs e para Sérgio a Guitarra de Ouro (ela tem detalhes folheados a ouro). Esta última contém a seguinte maldição gravada em uma placa na sua parte traseira:
“Que todo aquele que desrespeitar a integridade deste instrumento, procurar ou conseguir possuí-lo ilicitamente, ou que dele fizer comentários difamatórios, construir ou tentar construir uma cópia sua, não sendo seu legítimo criador, enfim, que não se mantiver na condição de mero observador submisso em relação ao mesmo, seja perseguido pelas forças do Mal até que a elas pertença total e eternamente. E que o instrumento retorne intacto a seu legítimo possuidor, indicado por aquele que o construiu”.

Tomem cuidado ao falar dos Mutantes!!
Para saber mais sobre Os Mutantes vejam o filme: A Hard Day´s Night dos Beatles. Eu explico: no auge do sucesso Os Mutantes fizeram uma série de comerciais para a Shell, que são do mesmo estilo do filme.