Thursday, June 30, 2005

Kick out the Jams, Motherfuckers!!!

Calma, calma! Apesar do título, este artigo não quer incitar nínguem a quebrar tudo. Se trata do disco de estréia de um dos grandes ícones do final da década de 60, o MC5. A banda nasceu em 1965 na cidade de Detroit, por isso o nome MC5, que significa Motor City 5 (lembre-se que as grandes fábricas de automóveis dáquele país têm suas sedes nesta cidade).
A banda formada por: Rob Tyner, vocal; Wayne Kramer e Fred Smith, guitarras; Michael davis, baixo e Dennis Thompson, bateria; só conseguiu assinar com uma gravadora, Elektra (mesma dos Doors), em outubro de 1968. Mas agora é que começa o fato marcante deste disco: gravadora (!) e banda resolveram que nada melhor para o primeiro disco do que gravarem ao vivo. Isso mesmo, o primeiro disco do MC5 ,kick out the jams, foi gravado ao vivo em dois shows no Grande Ballroom, Detroit, nos dias 30 e 31 de outubrode 68.
O fato de o 1º play de uma banda ser ao vivo é, ainda hoje, algo impensável, inimaginável, inviável e impronunciável para qualquer gravadora, seja ela pequena ou grande. Aí está a genialidade da banda e de alguns executivos da Elektra, que acabaram fazendo deste disco um marco na historia da música!
Vamos agora ao conteúdo do disco.
O albúm começa com um discurso de John Sinclair, empresário da banda, mas falaremos sobre isso apenas no final. Em seguida começa Ramblin` Rose, uma música que lembra os grandes rock´s do final dos anos 50 e início dos 60, com um riff de guitarra pesado, mas que dá vontade de sair dançando. Depois vem a faixa título que começa com a famosa frase "kick out the jams, mother fuckers! ( algo como: vamos quebrar tudo, filhos da puta!), a música é outro petardo do bom e velho rock pauleira (lembra desta expressão?).
Aliás o disco segue nesta linha nas músicas: Come Togheter (não, não é Aquela!); Rock Reducer nº 62 (Rama Lama FA FA FA) (Que nome!); Borderline (que lembra, apenas no instrumental, o Motorhead nos bons tempos); Motor City is Burnning (um grande blues, que é o ritmo da cidade); I Want You Right Now (Porrada com alguns improvisos no final); e finalmente Starship (feita em parceria com um músico de Jazz e que só tem uma explicação: muita maconha e LSD como inspiração!).
Agora voltemos à John Sinclair, que além de empresário foi escritor e mentor do movimento de contra-cultura na cidade de Detroit. Para promover sua ideológia, Sinclair começou a empresariar várias bandas locais, dentre elas o MC5. É dele o discurso introdutório do disco que é mais ou menos como segue: ".... Irmãos e irmãs eu quero ouvir barulho, quero ver um pouco de revolução lá fora. Irmãos e irmãs chegou a hora de cada de vocês um decidirem se serão parte do problema ou parte da solução, vocês precisão decidir irmãos, demora apenas 5 segundos para perceber o seu propósito aqui no planeta e que é tempo de fazer algo e derrubar a todos eles..."
Discurso forte para a época e que resumia a filosófia mais radical da contra-cultura. Sinclair também fundou o White Panthers Party (Partido dos Panteras Brancas), uma resposta não racista aos Black Panthers. A maior premissa dos White Panthers era a exigência de liberdade cultural e econômica (!) para todos e se achavam no direito de usar quaisquer meios para conseguir seus objetivos. O partido até chegou a lançar um candidato a presidência, o simpático porquinho Pigasus, mas infelizmente a cadidatura não foi adiante!
Você deve estar se perguntando: então o MC5 apoiava tudo isso? A resposta deixo para o baterista Dennis Thompson: " Eu não queria ficar levando bandeiras que diziam ´vamos fumar marijuana, vamos usar LSD e trepar nas ruas´ porque isso não era o MC5. O verdadeiro MC5 era uma banda de Rock and Roll, tentando ser melhor que o The Who, The Rolling Stones e The Kinks juntas". Mas apesar disso a banda ficou com uma má e errada fama de revolucionários, e este foi um dos motivos que levaram a banda ao seu final em 1972, mas esta é uma outra história.

Para saber mais sobre a tentativa fracassada e louco dos Hippies na política leia Flashbacks : surfando no caos, autobiografia de Timothy Leary.

Manifesto

Este blog foi criado com o intuito de trazer um pouco de boa música para vocês!
Mas para não apenas mais um blog de música qualquer eu criei alguns mandamentos aos quais tentarei seguir:
1) só farei críticas de discos;
2) os discos citados neste blog terão no mínimo dez anos de lançamento;
3)não me limitarei de apenas um estilo musical percorrendo rock, metal, punk, hard rock, eletrônico e mpb (bem menos);
4) a grande maioria dos discos fazem parte de meu acervo pessoal;
5) cada crítica de disco virá com um sugestão de filme, livro, gibi ou local que seja relacionado com o mesmo;
6) (e mais importante) as opiniões aqui publicadas são minhas e quem não gostar vá a merda!

Espero que gostem!
João Fábio Porto