Tuesday, March 28, 2006

The Doors




Para àqueles que estão acostumados a ler esta coluna eu já aviso que hoje ela será diferente. Sim, resolvi mudar um pouco. Como sempre, irei falar sobre música, claro, mas desta vez com um ingrediente especial: o cinema. Música e cinema sempre andaram juntos, seja com uma boa trilha sonora, seja contando a história de algum músico ou banda. Se juntarmos estes dois ingredientes o que teremos? Teremos o filme The Doors de Oliver Stone, lançado em 1991.
Como você já deve ter reparado o filme é sobre esta grande banda californiana. Mas os Doors são apenas uma desculpa para contar a história do vocalista Jim Morrison, idealizador e compositor da banda, além de um dos ícones dos anos 60. A vida de Jim não se resumia à apenas sexo, drogas e rock and roll, mas em sexo, drogas, rock e filosofia. Sim, filosofia. Do nome da banda às músicas e até as apresentações ao vivo, tudo era muito bem concebido por Jim e tudo tinha um significado.
Comecemos pelo nome da banda. The Doors foi tirado do livro de Aldous Huxley, The doors of Perception (As Portas da Percepção). O livro é um relato de experiências do autor com drogas psicodélicas, principalmente o peiote. É fácil perceber que Jim era fã de peiote (principalmente quando tomado nos desertos da california), ele queria que a banda fosse igual ao peiote, que fizesse com que os ouvintes expandissem suas consciências, que abrissem as portas da consciência do público, que fizessem com que as pessoas atravessassem para o outro lado, como diz o grande clássico Break on Through.
A concepção musical dos Doors nós iremos dividir em duas partes, música e letra. A música tinha que despertar algum tipo de sentimento no ouvinte, fazendo com que ele tivesse alguma emoção ao escutar a música. Riders on the Storm e The End tinham como objetivo fazer com que o ouvinte entrasse em transe, se possível com a ajuda de alguma substância. Light My Fire, Break on Through e L.A. Woman serviam para as pessoas ficarem alegres, que dançassem e se divertissem. Backdoor Man e Gloria eram para estimular os desejos sexuais. Duvida? Escute Gloria com atenção e perceba que a música toda representa um ato sexual: conhecer uma garota seduzi-la, converse-la e transar com ela (a última parte fica clara com a mudança de ritmo da música).
Jim Morrison era um poeta e suas letras são pura poesia. Morrison era um impressionista, um surrealista e um niilista do mesmo quilate de seus grandes ídolos: Niezsche, Rimbaud, Baudelaire, Blake, Byron e Kerouac. Jim era um fatalista que adorava a morte, e ela era um tema constante em sua poesia (“este é o fim/ meu único amigo o fim”). Ele queria que as pessoas admirassem a morte, pois esta era uma maneira de se sentirem felizes por estarem vivos, e assim, aproveitarem melhor a vida.
Os shows dos Doors eram um grande evento. Quando Jim cantava que “No one here gets out alive” (ninguém sairá vivo daqui) ele queria dizer que as pessoas seriam outras ao termino do show. Segundo Jim: “Um concerto dos Doors é um encontro público que nós chamamos de discussão dramática especial. Quando nós atuamos, nós participamos da criação de um novo mundo e queremos celebrá-lo com o público”. Jim se proclamava Dionísio do século XX (Dionísio é o Deus grego do amor e dos prazeres) que tinha como obrigação trazer alegria e prazer às pessoas.


Túmulo de Jim Morrison em Paris

Mas os Shows dos Doors nem sempre foram assim. Pode parecer mentira mas Jim Morrison era uma pessoa extremamente tímida, e nos primeiros shows da banda ele cantava de costas para a platéia, com medo de encará-la de frente. Este fato esta relatado no filme, ele e outra histórias incríveis, como por exemplo: Jim chamava a rua onde Pam (sua futura esposa) morava de Love Street, que mais tarde virou o nome de uma música da banda. Outra história do filme: Jim não conseguia gravar a música Soft Parade pois não relaxava para cantar bem. A música só foi gravada com a ajuda de Pam, que deixou Jim relaxado o suficiente durante a gravação (assista ao filme e veja como ela conseguiu).
Nada melhor que acabar este texto com um trecho do escritor favorito de Jim Morrison, Friedrich Nietzshe:

“Apesar dos favoritos dos Deuses morrerem jovens
eles viverão eternamente na companhia dos Deuses.”

Hoje darei duas dicas de livros: As portas da Percepção de Aldous Huxley e O Anticristo de Nietzshe.

Monday, March 13, 2006

Toca Raul!!!!



O que acontece quando um dito cidadão respeitado que ganha 4.000 cruzeiros por mês, como executivo de uma grande gravadora, resolve largar tudo para tentar realizar seu sonho de infância de se tornar uma estrela do rock? Simples. Nasce uma lenda do rock que iria mudar os rumos, não só da música brasileira mas dos costumes da sociedade e, porque não, até da literatura universal. Nasce, assim, Raul Seixas.
Em 72 este baiano de Salvador decide largar seu emprego de produtor musical da gravadora CBS para participar do Festival Internacional da Canção. Com a música Let me Sing, Let me Sing (mistura de baião e rock) Raul chega às finais do festival, mas não consegue vence-lo. Mas a sua apresentação, vestido de Elvis com um topete enorme e dançando muito, impressiona a todos e principalmente os executivos da gravadora Phillips que o contratam na hora.

Sete meses depois dois caras cabeludos e barbudos saem em passeata pelas ruas do Rio de Janeiro, um deles carregando um violão. Rapidamente eles chamam a atenção de centenas de pessoas que os seguem, assim como a imprensa. Os caras eram Paulo Coelho e Raul Seixas. Os dois saíram pelas ruas cantando Ouro de Tolo, para promover a nova música. O resultado: conseguiram aparecer à noite no Jornal Nacional (lembrem-se que estávamos no meio da ditadura militar e qualquer aglomeração de pessoas era uma grande notícia) e duas semanas depois Ouro de Tolo já era o compacto mais vendido no Brasil.

Um mês após a passeata chegava as lojas Krig-Há, Bandolo!, o primeiro (e melhor) disco solo de Raul Seixas (que já havia gravado com seu antigo grupo: Rauzito e os Panteras). Com uma mistura de ritmos, letras esotéricas, políticas, de duplo sentido e bem humoradas o disco rapidamente chegou a marca de 1 milhão de cópias vendidas, feito até então só alcançado por Roberto Carlos.
O disco começa com Raul aos 9 anos de idade cantando Good Rockin Tonight, gravação interessante que mostra o quão cedo Raul já queria ser o rei do Rock. Em seguida dois grandes clássicos. Mosca na Sopa, um Rock-Baião, que fez um sucesso enorme, em que Raul avisa que é a mosca que irá perturbar o sono (da classe média e dos militares) com sua mensagem e que não há DDT (ou censura) que irá extermina-lo. Metamorfose Ambulante dispensa comentários, mostra o inconformismo de Raul com os costumes tradicionais da classe média.

Dentadura Postiça com seu trinômio: vai cair, vai subir e vai sair é ótima. Vai cair: o nível do gás, o juízo final, os dentes de Jô....; vai sair: o novo gibi, o expresso 22, o Sol outra vez,....; Vai subir: o elevador, o preço do horror, o nível mental....Esta letra é pura poesia. Na seqüência vem a conhecida As Minas do Rei Salomão um country com uma letra esotérica que cita até o Dom Quixote: “o cavaleiro andante que luta a vida interira contra o rei..”. A Hora do Trem Passar fecha a primeira parte do disco e é uma bela balada romântica, fato raro na carreira de Raul.
Al Capone é um clássico e impressiona o fato dela não ter sido censurada na época. Será que ninguém percebeu que ele fazia menção a política brasileira? Sem falar no trecho “... hey Jesus Cristo o melhor que você faz/ deixar o pai de lado e foge pra morrer em paz”. Já How Could I Know é um sonho de Raul que nunca se concretizou enquanto era vivo: gravar um disco cantado todo em inglês. Rockixe apesar do destaque dado a ela no disco (sua letra estava na contra capa) não chegou a fazer sucesso. A música é um rock com metais ao estilo Elvis Presley e com uma ótima letra: “ o que eu quero/ eu vou conseguir/ pois quando eu quero/ todos querem e quando eu quero/ todo mundo pede mais e pede bis”.
Manuscrito de Al Capone
Cachorro Urubu é outra música política de Raul e Paulo Coelho, fazendo menção a revolução estudantil da França de 68 e aos movimentos de contra-cultura: “todo jornal que eu leio/ me diz que a gente já era/ que já não é mais primavera/Oh baby, a gente ainda nem começou!”. A última música do disco é a autobiográfica Ouro de Tolo, que dispensa comentários. O disco acaba com um discurso de Raul “..que o mel é doce eu me recuso a afirmar/ mas que ele parece doce, eu afirmo/ Deus é o que me falta para compreender tudo aquilo que ainda não compreendo..”.


Para finalizar alguém sabe o que significa Krig-Há Bandolo!? Uma frase de magia negra? Uma referência ao livro tibetano dos mortos? Não! É apenas o grito de guerra do Tarzan nos gibis e quer dizer cuidado, aí vem o inimigo! Este é o grande humor de Raul Seixas.
A dica de hoje é o livro Diário de um Mago do imortal Paulo Coelho, onde dá para entender um pouco como a magia era encarada pela dupla Paulo Coelho e Rau

Saturday, February 25, 2006

Franz Ferdinand / Morumbi dia 21/02/06


o vocalista Alex Kapranos do Franz Ferdinand no show em São Paulo

A banda escocesa Franz Ferdinand ainda é pouco conhecida no Brasil, mas depois dos dois shows de abertura para a banda U2, eles conseguiram conquistar vários novos fãs.Às 20 horas em ponto a banda subiu no gigantesco palco e fez um show simples porém muito competente.
Com um cenário incrivelmente modesto, uma bandeira preta com dois F desenhados, pendurada em frente a bateria do U2 (acreditem, foi somente isso). Foram somente quarenta minutos de show (o ponto baixo, pois eles mereciam mais tempo) que fizeram o estádio do morumbi dançar.
The Dark of Matinee foi o primeiro hit tocado e já animou a galera, todos começaram a pular ao som desta música, muitos não conheciam a banda, mas quando eles tocavam algum hit todos comentavam, "Ei, eu conheço esta música!"O mesmo aconteceu com o single mais recente do FF, Walk Away.
Os pontos altos d show foram as músicas mais "famosas": Take me Out, com o público em coro cantando o refrão, para a surpresa da banda; This Fire que foi a música que fechou o show, pos fogo no estádio (que cliché!). Mas o melhor foram as canções Do you Want to (que fez todos pularem)e Outsiders em que a banda contou com três bateristas tocando ao mesmo tempo e na mesma bateria!
Apesar do pouco tempo de show com certeza o Franz Ferdinand conquistou vários fãs com os shows de abertura do U2, ficamos aqui imaginando como seria o show completo da banda. Espero que eles voltem em breve e se possível com a banda que abre seus shows na gringa, o maravilhoso Magic Numbers. Para àqueles que não viram o show, só resta mesmo escutar os dois cds do Franz Ferdinand.

Tuesday, February 21, 2006

A pérola do Rock


Nascida em Port Arthur, Janis Joplin foi a maior estrela da cena musical de San Francisco e uma das maiores de sua época e de todos os tempos. No mundo machista do rock pouquíssimas mulheres conseguiram se estacar e apenas Janis conseguiu o status de estrela. Tentando preencher o vazio do amor ela encarnou como poucos o trinômio sexo, drogas (incluindo o álcool) e rock and roll (e muito blues).
San Francisco, mais do que todas, nos anos 60 era a cidade do paz e amor. Era a cidade com a maior concentração de hippies por metro quadrado do universo. Existiam inúmeras comunidades e numa delas Janis Joplin morava com a maravilhosa banda Grateful Dead (que ficou 20 anos ininterruptos fazendo turnê pelos EUA em um ônibus escolar, onde todos moravam!!).

Janis era fã declarada de Blues, ritmo que escutava desde a infância no Texas, e começou sua carreira em 63 cantando em pequenos bares de San Francisco. Em 65, movida a muita anfetamina, ela monta a Big Brother and the Holding Company Band (talvesz a sua melhor banda). Juntos lançam o excelente disco Cheap Thrills e fazem muito sucesso tocando em festivais até 68 quando a banda acaba.


No mesmo ano Janis monta a tumultuada Kozmic Blues Band que dura pouco mais de um ano de fracassos musicais. Em 69 ocorre a lendária visita de Janis Joplin ao Rio de Janeiro, onde foi expulsa do hotel Copacabana Palace por fazer top less na piscina. Dizem que ela queria conhecer as melhores atrações turísticas do Rio, ou seja, os puteiros (segundo a própria).E conheceu todos, pelo menos os melhores, como conta o lendário Sergei, brasileiro e “namorado” de Janis na época.





Janis bem a vontade em Copacabana com seu amigo Jack Daniels
De volta a San Francisco Janis monta a Full Tilt Boogie Band e faz uma turnê pelo Canadá acompanhando o Grateful Dead . O detalhe desta turnê é que ela foi feita a bordo de um trem. Eles paravam em uma estação em uma dada cidade e tocavam para quem estivesse na estação, e de graça. Esta loucura toda esta documentada no filme Festival Express. Tentem imaginar o que acontecia nos vagões do trem!!

Com o fim desta louca turnê Janis e sua banda entram em estúdio para gravarem o clássico Pearl. De sua capa, com Janis sentada num sofá vitoriano com uma garrafa de cerveja em uma mão e um cigarrinho suspeito na outra, a suas músicas este disco é antológico.
Com exceção de Buried Alive in the Blues, Me and Bobby Mcgee e Mercedes Benz todas as outras 7 músicas do álbum falam sobre amor. Mas as músicas não são repetitivas pois falam das diferentes fazes do amor. A Woman Left Lonely fala da solidão de uma mulher abandonada por um homem (ou uma mulher). Cry Baby (aquela da trilha sonora do filme Olha quem Esta Falando) é a história de um cara que leva um fora e vai se consolar com uma amiga, que por sua vez tenta convence-lo a ficar com ela e esquecer a mulher que o abandonou.
Move Over é um ultimato de uma mulher que diz para o cara tomar uma atitude ou que ele caia fora para dar lugar a outro. O interessante de Move Over é a parte musical, com os instrumentos dialogando com o vocal em uma mesma melodia enquanto a bateria marca o compasso. Buried Alive in the Blues é uma música instrumental onde se pode comprovar todo o talento da banda de Janis. Com variações rítmicas é possível escutar nesta música todo o poder de uma Gibson SG em ação.
Me and Bobby Mcgee é uma típica música hippie. Este folk-country conta a história de uma mulher com um tal de Bobby Mcgee que ela conheceu na estrada, eu destaco os versos: “liberdade é apenas outra palavra/ para nada a perder” e “eu trocaria todos os meus amanhãs/ por um único ontem/ para abraçar de novo o corpo de Bobby”. Mercedes Benz é a prova de toda a capacidade vocal de Janis, pois esta música não tem instrumentos, apenas a sua voz. Ela canta um pouco de seu estilo de vida: “oh senhor, você poderia me pagar uma noite na cidade?/ Prove que me ama e pague a próxima rodada”. Aliás ela ganhou o Porshe que tanto sonhava na música, já a rodada de bebidas ela mesma pode comprar várias!

Janis Joplin morreu de overdose de heroína no dia 4 de outubro de 1970. Dez dias depois chegava as lojas o disco Pearl, a sua maior obra prima. Algo interessante que eu consegui achar na rede é o relatório do legista de Janis, vocês podem vê-la neste site: http://www.janisjoplin.net/kozmic/autopsy.html
Minha dica de hoje é o filme Os Sonhadores de Bernardo Bertolucci. Este filme se passa em Paris e retrata as duas faces dos anos 60: o ativismo político com a revolução estudantil de Paris em 68 e a alienação em que os personagens do filme ficam dias dentro de um apartamento conversando sobre cinema e escutando Janis Joplin!

Monday, January 23, 2006

O prenúncio






Depois da saída traumática de Syd Barrett, o Pink Floyd parecia caminhar para o seu final. Com a entrada do genial David Gilmor a banda arrisca em Atom Heart Mother, mas só começa a trilhar seu caminho musical com o disco seguinte, Meddle. Este disco antológico é muito admirado pelos fãs do Pink Floyd mas é totalmente desconhecido do grande público, tendo o seu brilho ofuscado pelo Dark Side of the Moon e The Wall.
Com Medlle a banda demonstra um grau de entrosamento e criatividade enorme que parecia insuperável. Parecia seu auge e os não poderiam ter a pretensão de esperar algo melhor. Mas todos se enganaram, pois o grupo quis ir mais longe e se superar gravando The Dark Side of the Moon, mas este é um assunto para depois, agora voltemos ao Medlle.
O disco, que foi gravado em 1971/72 no lendários estúdio Abbey Road em Londres, começa com a maravilhosa One of these Days. A introdução, ruídos de vento, é interrompida pelo hipnótico baixo do genial Roger Waters. A faixa conta com vários efeitos produzidos em estúdio, entre eles, as entradas de bateria no começo e o som dos pratos, durante a música, sendo reproduzidos de trás para frente. Isto mesmo, eles gravavam o som dos pratos e reproduziam na faixa ao contrário, causando um efeito impressionante. Sem contar a estranha letra com o vocal de Nick Mason, a letra tem apenas uma frase e diz: “Um dia destes eu te cortarei em pedacinhos”!!
Em seguida temos a tranqüila A Pillow od Winds. Com o suave vocal de Gilmor juntamente com seus solos de guitarra, a música faz com que o ouvinte se sinta em um sonho, deitado em algum vale verde deitado com seu amor ao seu lado e com ela respirando suavemente, como diz a letra.
Fearless tem um excelente riff de guitarra de Gilmor, que para variar também a canta muito bem. O curioso desta música é que ela termina de uma maneira surpreendente, com a torcida do Liverpool cantando seu grito de guerra “ You´ll never walk alone”. (ainda bem que eles não cantarão esta música em dezembro de 2005!). San Tropez, escrita e cantada por Waters, é um jazz lento e suave sobre a cidade litorânea de San Tropez que fica no sul da França, freqüentada por pessoas no mínimo milionárias.
Seamus é um Blues magistral que fecha a primeira parte do disco. A música é cantada por Gilmor e seu cachorro Seamus. Isto mesmo o cachorro!! Seamus tinha o costume de “cantar” (uivar seria a palavra mais apropriada) para seu dono enquanto ele tocava violão. Se vocês não acreditam vejam a dica que dou no final do artigo, nele Seamus aparece “cantando” em um palco com Rick Wright segurando seu microfone!
Por fim a sensacional Echoes com seus maravilhosos 26 minutos (apesar desta duração ela esta longe de ser chata). Criada a partir de diferentes sons elaborados por cada integrante da banda e justapostos em seqüência, o que não aparenta na música pois ela soa totalmente coesa. Rick Writgh está simplesmente sensacional, tanto no piano quanto no órgão, que parecem esta sendo improvisados, mas não estão. Nick Mason surpreende aqueles que acham que o único papel da bateria é dar ritmo à música, pois ele consegue fazer melodias completas com seu instrumento.
Agora um fato surpreendente sobre esta música. Ela esta sincronizada com o final do filme de Stanley Kubrick, 2001 – Uma Odisséia no Espaço. É a parte onde o astronauta tenta desligar o computador HAL 9000, e para aqueles que ficaram curiosos, é fácil achar na rede as cenas sincronizadas com a música. Você deve estar se perguntando: é possível que a banda tenha feito isto de propósito? É improvável, mas em se tratando de Pink Floyd, nada é impossível, sem contar que esta sincronia volta a acontecer com o disco The Dark Side of the Moon e o filme O Mágico de Oz.
Para finalizar eu gostaria de lançar um desafio: alguém consegue adivinhar do que é esta foto na capa do disco? Ela foi concebida pela banda e o objeto (ou parte do corpo) parece estar submerso na água.
A dica de hoje é o DVD Live at Pompeii do Pink Floyd, gravado nas ruínas da cidade de Pompéia (Itália) que foi destruída depois de uma erupção do vulcão Vesúvio. O interessante é que as ruínas não tinham energia elétrica e para a realização do show foi necessário um cabo que ligassem as ruínas à cidade mais próxima, que só ficava a uns quinze quilômetros de distância.

Eu voltei (e com novidades)

Pessoal eu voltei depois de um curto período de férias, e agora trago novidades!
A primeira é que os artigos serão publicados primeiro aqui neste Blog e depois no site spiner (não por muito tempo, logo eu mudarei de casa)!
A segunda é que futuramente eu começarei a fazer a resenha de alguns shows, e espero começar com o grande U2!
Espero que os meus 3 ou 4 leitores gostem!
Até
João

Friday, December 09, 2005

Alta Voltagem

O que a Austrália tem de melhor? O canguru? As praias? O rúgbi? Os aborígenes? Nada disso. O melhor da Austrália, com certeza, é a banda AC/DC que com um misto de Rock´n Roll e Boogie (Blues tocado mais rápido) e com um tempero de Heavy Metal, conquistou o mundo todo.
A banda foi montada no começo dos anos 70 pelos irmãos Malcolm e Angus Young. Aliás Angus é o irmão mais novo da família Young, e no começo da banda ele tinha apenas 14 anos, e por este motivo, ele saia direto do colégio para os shows da banda, não tendo tempo nem para trocar de roupa. Nascia assim, a marca registrada da banda: a roupa de colegial que Angus usa nos shows até hoje.

A primeira formação da banda contava com os irmãos Young nas guitarras, Phill Rudd na bateria, Dave Evans nos vocais e Mark Evans no baixo. Pouco tempo após o começo da banda o vocalista Mark resolve sair. Com alguns shows marcados e sem vocalista a banda não sabia o que fazer. Neste contexto, entra em cena o lendário Bom Scott, que na época era o motorista da banda, assumindo os vocais.

No ano de 1976 sai no mundo todo o disco High Voltage, uma compilação das melhores músicas dos dois primeiros álbuns da banda, lançados somente na Austrália (High Voltage e T.N.T.). Destes dois primeiros discos as músicas Show Business, You Ain´t got a Hold on me, Soul Stripper e Bay Please Don´t Go só saíram no maravilhoso EP 74´Jailbreack. Enquanto que as músicas Stick Around, Love Song, Rocker e School Day´s só saíram na caixa Bon Fire de 1998. Mas podem ter certeza que as melhores músicas ficaram na versão internacional de Hogh Voltage.
O disco começa com a música It´s a Long Way to the Top (if you wanna rock and roll) que é um aviso para todos aqueles que querem o rock que o caminho até topo é bem longo. O clipe desta música é bem legal e é muito parecido com o clipe da música All Because of You do U2, com algumas diferenças: o caminhão era pequeno, o equipamento de som era ruim e eles não chegaram a parar o trânsito de Sidney.
Em seguida vem Rock´n Roll Singer com Bom Scott contando a história de como ele se tornou cantor de Rock. Ele conta que já sonhava em cantar desde criança e que abandonou a escola, deixou o cabelo crescer e enfrentou todos os moralistas para virar uma estrela de rock.
The Jack é minha música favorita, este Blues tem duas versões para a sua letra. A primeira é a do disco, e é bem moderada, e conta a história de um jogo de pôquer entre uma mulher e Jack, que só perde os jogos e não consegue vencer. A segunda versão só é cantada nos shows da banda, e nela quem perde a partida de pôquer tem que tirar uma peça de roupa, e mesmo assim o Jack só perde. Esta é apenas uma das letras de duplo sentido da banda (este é um dos motivos pelos quais o AC/DC sempre fez um enorme sucesso nos EUA, já que as letras de duplo sentido enganavam a “censura” daquele país), e nesta linha de letras o disco tem também Live Wire, o personagem da música esta cheio de “energia”. Little Lover e She´s Got Balls também seguem este estilo de letras.

T.N.T. é um clássico da banda! Além do fantástico instrumental e dos backing vocais dos irmãos Young, a letra merece um grande destaque. Um sujeito (provavelmente Bom Scott) esta voltando à sua cidade natal, depois de ficar um tempo fora (possivelmente na cadeia), com uma grande “energia” armazenada, ou seja, ele é puro T.N.T.! A música que dá nome ao disco High Voltage, não tem conotação sexual. É a banda dizendo a todos que eles são pura alta voltagem e que chegaram para “eletrizar” o mundo do rock.

Eu deixei a música Can´t i Sit Next to you Girl por último por três motivos: 1) foi a primeira música gravada pelo AC/DC; 2) a letra conta a história de uma cantada que Bom Scott deu em uma mulher em um bar onde a banda estava tocando; 3) na dica que eu darei no final do artigo tem um clipe desta música, com a banda se apresentando em um programa da TV australiana, e simplesmente Bom Scott esta vestido de mulher com vestido e peruca loira! Tentem imaginar um cara todo tatuado vestido de mulher! É uma das cenas mais engraçadas da história do Rock.

Para finalizar eu só gostaria de falar um pouco da contra-capa deste disco. Quem puder, dê uma lida nela. Se trata de cartas escritas para cada membro da banda (no casa dos irmãos Young, a diretora da escola dos dois escrevendo para a senhora Young). A de Bom Scott é uma declaração de amor de uma garota, mas o único problema é que ela é filha do prefeito da cidade. Vale a pena ler as cartas e reparem no singelo coração que foi desenhado para Bom Scott!
A minha dica é o DVD Family Jewells do AC/DC que contém todos os clipes da banda, entrevistas e cenas inéditas e raras da banda.

Friday, November 18, 2005

London Calling

Sempre ouvi dizer que London Calling do Clash é o melhor disco de Punk Rock de todos os tempos e nunca levei este fato muito à sério. Até que um dia resolvi arriscar. Comprei o London Calling esperando um disco barulhento, agressivo, com músicas simples e com muita anarquia nas letras. Devo confessar que me decepcionei, mas no bom sentido, pois London Calling superou todas as minhas expectativas quanto a sua qualidade. O disco é tranqüilo, com músicas muito bem feitas (e até complexas) e não é anarquista, muito pelo contrário, tem letras politizadas que fazem o ouvinte querer mudar o seu modo de pensar através da conscientização das pessoas.

Como muitas bandas Punks da época, o Clash, surgiu após os caras da banda verem um show dos Sex Pistols (o Joy Division começou da mesma maneira), e além disso a estréia nos palcos da banda, 4 de Julho de 1976, foi abrindo o show dos Pistols. Em 77 a banda assina com a gravadora CBS e lança o álbum homônimo que fez um grande sucesso na Inglaterra, assim como o segundo disco Give´Em Enough Rope. Mas foi com o terceiro disco, London Calling, de 1979 que a banda ficou famosa no mundo todo.
Antes da fama os caras da banda (Mick Jones, guitarra e vocais; Joe Strummer, guitarra e vocais; Paul Simonon, baixo e Topper Headon, bateria) moravam nos subúrbios de Londres, em um bairro dominado por uma grande comunidade de imigrantes jamaicanos, daí a grande influência musical e política do Reggae. Assim, com uma mistura de Reggae, Ska e Rock a banda criou um novo tipo de música e o disco foi eleito, pela revista Rolling Stone, o melhor da década (79-89) por ser um dos mais inovadores.

O disco comça com a faixa London Calling, que tem uma linha de baixo bem marcante, uma letra politizada e um clipe na sombria noite londrina. Em seguida vem Brand New Cadillac, um Rockabilly sobre o sonho de se ter um cadillac, apesar de politizados eles eram garotos que cresceram ouvindo Elvis e queriam ser como ele, e um dia dia ter o melhor carro, muito dinheiro, garotas e muita diversão!
Spanish Bombs fala sobre a guerra civil espanhola, contando sobre o bombardeio (com aviões nazistas) da cidade de Andaluzia em 1939 (fato também retratado por Pablo Picasso em um de seus quadros). A música também trás uma menção à morte do escritor espanhol Frederico Gárcia Lorca que lutava no exercito de resistência ao general Franco. Lost in the Supermarket é uma das minhas favoritas, com uma boa melodia, a música questiona a sociedade de consumo.

Para quem estava sentindo falta de Punk Rock, pode se deliciar com as ótimas Clampdown e Death or Glory. Já Wrong´Em Boyo e Revolution Rock são bons Reggaes que deixariam até Bob Marley com inveja. The Card Cheat é uma música de excelente qualidade, com um toque de complexidade melódica que lembra The Who nos bons tempos. Com relação a Lovers Rock só me resta uma dúvida: o que a pobre garotsa teve que engolir? E apesar do enigma a música é muito boa!
Koka Kola tem, com certeza, a melhor letra: “ Koka Kola anunciando, enquanto a Kokaína está passeando pela Broadway” (será que eles quiseram fazer algum tipo de associação entre os dois produtos?). Train in Vain que fez um grande sucesso fecha o disco (é a mesma que o Ira! Fez uma versão em português em seu acústico).

Agora só nos resta falar sobre a capa do disco. A foto retrata o baixista Paul Simonon quebrando seu baixo no fim de um show em que ele simplesmente errou em quase todas as músicas, frustrado com sua performance ele decidiu quebrar o seu instrumento. Em uma entrevista, Paul disse que se arrepende de seu ato, pois aquele era seu baixo favorito. Outro fato curioso da capa é que ela é uma homenagem ao primeiro disco do Elvis. Percebam que as palavras London Calling e Elvis Presley têm a mesma cor e estão disposta da mesma maneira.

Para saber um pouco mais sobre a ideologia do Clash entrem no site www.strummerville.com e vejam alguns dos projetos do finado guitarrista do Clash Joe Strummer!